domingo, 3 de outubro de 2010

Leões do cavalheiro sem nome.

comida-de-leao_11 Aquele pequeno anjo nasceu e pouco tempo viveu.

Nos braços daquele cavalheiro cujo nome jamais saberemos, mas o quanto aquela face és sofrida, para o nobre cavalheiro ela sorriu. E lagrimas tão valiosa que ele gostaria de engarrafa-las, Para sempre ele ter como símbolo de plenitude ele as derrubou, após um abrir e fechar de olhos, perceber que o sorriso daquele anjinho jamais o contemplará. Aquele anjinho para os céus voltara, para de lá seu estimado cavalheiro olhar, num gesto que só o choque dá ele começa a cantar:

“Ó minha filhinha querida

Papai sempre vai te amar

Obrigado por seu angelical sorriso

Na memória como a joia mais rara

Papai vai guardar

Meu anjo de luz

Tu és o pedaço mais belo

Que guardo dentro de mim

Deus te levou de mim

Mas a tua lembrança

E meu amor por ti jamais se findará

Papai sempre vai te amar

Meu pequeno anjo de luz”

Após abrir seu coração naquela canção, aos poucos a insuportável lucidez vem à tona. Ele olha para todos os lados procurando um culpado, ele culpa a mãe, os médicos, a Deus e a si mesmo, seu coração grita tentando achar algum culpado. Ele precisa botar a culpa em alguém, o desespero toma conta de seu ser.

Naquela noite chuvosa ele sai correndo ele grita ao meio daquela tempestade, mas parece que nem Deus dá ouvido a ele, ele corre no meio da estrada molhada na expectativa que algum veiculo o atropele ou um raio cai sobe sua cabeça e cesse para sempre seu sofrimento, mas Deus parece se contentar com seu sofrer.

Naquela floresta ele chega, com sua ira com socos começa a esmurrar as arvores por onde passa, com as mãos ensanguentadas ele banha a floresta, com suas lagrimas ele batiza sua alma, a qual um sangue negro e amargo parece jorrar de dentro de seu ser, amargura que fora em apenas dois minutos extirpada por aquele anjo, mas que agora se torna um remédio tão amargo quanto sua alma, mas que começa a sanar a sua moral. De alguma forma essa terrível perda fez o cavalheiro sem nome, se tornar um ser mais quente, aquela frieza que ali havia agora já não existe mais.

A solidão vem à tona, ele sabe que tem muito de seus erros a concertar e uma fera a domar, mas de alguma forma aquele cavalheiro prende aquela fera que existira dentro dele e a doma, ninguém acredita que aquela fera ser tornara um animal dócil, embora ela até os dias de hoje na jaula de sua alma ela grite se enfureça, as vezes até tenta escapar, mas a recordação daquele anjo vem a tona, o passado como um filme vem a sua mente e como um chicote do destino a doma a fera.

Mas essa é apenas uma das feras, as consequências do passado no futuro se tornam duas grandes feras, as quais ele precisa de ajuda para doma-las, por muito tempo ele busca uma caçadora a altura, com coragem para doma-las, muitas se vão outras são verdadeiras feras travestidas de caçadoras, até que o destino resolve dar-lhes uma trégua e ele encontra uma caçadora já com suas feras a domar e disposta a domar as feras do cavalheiro sem nome, ambos ajudam a matar suas feras. Não sei se é irônico, um coincidência ou destino mesmo, mas encontrar uma domadora que nos ajude a domar nossas feras sem se acovardar é tão difícil quanto encontrar uma pedra preciosa, uma pedra de jade, por exemplo, cujo o nome da caçadora é Jade também. É o cavalheiro teve infinita sorte, pois nada seria ele sem essa tão magnifica joia que o ajuda a caçar todas as suas feras que aparecem, e ele também a ajuda na caçada das feras delas, ambos se ajudam mutualmente.

Temos que matar um leão por dia, nesse mundo não existe frase mais verdadeira, é como no filme “ a sombra e a escuridão” o qual aquele homem, mata o primeiro leão, no dia seguinte aparecem dois leões e ele precisa de ajuda para matar os outros leões.

Os nossos leões temos que matar nos mesmos, mas nada como uma boa caçada a dois para vermos que valeu a pena a caçada, que valeu a pena ter enfrentado os leões, pois todos os dias vencemos eles. Isso não significa que todos os leões possam ser derrotados todos os dias, mas aí contamos com o tempo e o saber que somos maiores que nossos leões, temos que saber dizer aos nossos leões que cedo ou tarde vamos derrota-los e não mais se nos convencer que esses leões nos intimidam, pois como disse somos bem maiores que os leões, basta um pouco de estratégia e tempo que cedo ou tarde eles um a um serão derrotados e depois de cada leão vencido com o tempo veremos que não passaram de gatinhos manhosos, alguns com garras mais afiadas que os outros, ou com presas mais vorazes, mas sempre ao longo do tempo pareceram como gatinhos manhosos. Mas mesmo esses gatinhos podem muito bem nos ferir, mas essas feridas só nos mostram uma nova estratégia de captura-los e doma-los, o bom dessas feridas que servem como troféus de nos mesmo, mostram que a caçada realmente valeu a pena, pois acredito que a nossa vida seria muito chata se não tivéssemos nossos leões para mata-los, não teríamos do que nos orgulhar, não teríamos nossa estante de troféus dentro de nos mesmos e é essa gana de coleciona-los de preencher cada espaço dessa interminável estante que nos conduzem a viver e sempre ter forças para enfrentar leões cada vez maiores, e que de alguma forma sempre vencemos, pois eles foram feitos para vencermos.

Cedo ou tarde o caçador sempre vence, e o cavalheiro sem nome acaba embainhando sua espada...

Guilherme Kempoviki Serafim dos Santos/ domingo, três de outubro de 2010as 13hs e 03 min.

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