domingo, 20 de fevereiro de 2011

Vida Boêmia

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Uma vida que muitos acham que é fácil.

Uma vida de bebedeira.

Muitas mulheres, muitas farras...

O boêmio é um homem triste.

De tão triste que sua tristeza se torna se torna poética e bela.

Uma vida de boêmia é como viver uma ópera.

Óperas são tristes,

Mas expressam a arte da tristeza,

O que as tornam belas,

Por isso as pessoas vão à ópera,

Pois a pesar da tristeza uma ópera é sempre uma coisa bela

O que faz a gente entrar em comunhão com o sagrado.

Isso é a vida boêmia, viver a beleza de sua própria tristeza

E para adocica-la uma dose de uísque

A fim de desprender a solidão.

Aí vem às mulheres para fantasiar seu coração.

A bebida acaba e também o combustível para a fuga de sua medíocre vida

As mulheres são apenas um tempero

Para o prato azedo e estragado de sua realidade.

Mas a cada noite com uma mulher é motivo de mais uma garrafa de uísque,

Para esquecer que sua realidade continua sendo algo imutável

Pelo seu comodismo e certo conforto.

O boêmio não sabe o que é felicidade

E por não saber o que é felicidade

Acomoda-se na infelicidade,

Na tristeza,

Na amargura.

É mais cômodo viver em tristeza,

Pois com a tristeza o boêmio sabe como funciona.

Já a felicidade é algo imprevisível,

Algo que ele não sabe como se porta,

É algo desconhecido,

De tão desconhecido que dá medo.

É essa a vida de boêmia,

É a constante fuga de uma fuga de uma realidade

A qual por seu comodismo ele se recusa a modificar,

Pois é mais fácil ser boêmio do que enfrentar a felicidade.

Por isso a vida boêmia sempre será uma triste e bela ópera

Guilherme Kempoviki Serafim dos Santos/domingo, 20 de fevereiro de 2011

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