Uma vida que muitos acham que é fácil.
Uma vida de bebedeira.
Muitas mulheres, muitas farras...
O boêmio é um homem triste.
De tão triste que sua tristeza se torna se torna poética e bela.
Uma vida de boêmia é como viver uma ópera.
Óperas são tristes,
Mas expressam a arte da tristeza,
O que as tornam belas,
Por isso as pessoas vão à ópera,
Pois a pesar da tristeza uma ópera é sempre uma coisa bela
O que faz a gente entrar em comunhão com o sagrado.
Isso é a vida boêmia, viver a beleza de sua própria tristeza
E para adocica-la uma dose de uísque
A fim de desprender a solidão.
Aí vem às mulheres para fantasiar seu coração.
A bebida acaba e também o combustível para a fuga de sua medíocre vida
As mulheres são apenas um tempero
Para o prato azedo e estragado de sua realidade.
Mas a cada noite com uma mulher é motivo de mais uma garrafa de uísque,
Para esquecer que sua realidade continua sendo algo imutável
Pelo seu comodismo e certo conforto.
O boêmio não sabe o que é felicidade
E por não saber o que é felicidade
Acomoda-se na infelicidade,
Na tristeza,
Na amargura.
É mais cômodo viver em tristeza,
Pois com a tristeza o boêmio sabe como funciona.
Já a felicidade é algo imprevisível,
Algo que ele não sabe como se porta,
É algo desconhecido,
De tão desconhecido que dá medo.
É essa a vida de boêmia,
É a constante fuga de uma fuga de uma realidade
A qual por seu comodismo ele se recusa a modificar,
Pois é mais fácil ser boêmio do que enfrentar a felicidade.
Por isso a vida boêmia sempre será uma triste e bela ópera
Guilherme Kempoviki Serafim dos Santos/domingo, 20 de fevereiro de 2011







Ótimo texto, li e reli inúmeras vezes.
ResponderExcluir