sábado, 1 de outubro de 2011

O engenheiro cristão e o motorista ateu


O engenheiro cristão e o motorista ateu

Certa vez um engenheiro de uma empresa de construção ao fazer uma visita em uma obra sofre um acidente, uma ferramenta escapa da mão de um pedreiro e vai parar em sua perna, causando assim um grande ferimento. O engenheiro foi para o hospital próximo, mas os médicos após os primeiros curativos disseram que ele só iria recuperar o movimento de sua perna se ele fizesse fisioterapia de três em três dias durante uma semana. Mas o engenheiro muito orgulhoso de sua crença disse
– Meu Deus irá me curar, não preciso de coisas mundanas.
Com o acidente ele poderia ganhar uma indenização da empreiteira por acidente de trabalho e assim seus amigos o aconselharam. Novamente orgulhoso e fervoroso em sua crença disse:
– Meu deus é meu advogado ele, se ele é por mim quem será contra mim? Ele ganhará a causa pra mim e a empreiteira pagará cada centavo que eu mereço.
Após algum tempo a perna do engenheiro só ia piorando. Seu motorista sempre o aconselhando a ir fazer a fisioterapia e o engenheiro sempre dando a mesma resposta:
– Meu Deus irá me curar, não preciso de coisas mundanas.
O engenheiro sempre ia a igreja,  seu motorista fiel sempre ao seu dispor e servindo de ouvidos para seus problemas. O engenheiro sempre contava ao motorista sobre os testemunhos de sua igreja, comentava o  grande valor em dinheiro que ele dava a igreja como dízimo, sempre glorificava o nome de seu deus seja por palavras, por canções de louvores, ou até mesmo por orações dentro mesmo do carro. O motorista pouco falava quando entrava nesses assuntos, mas o motorista sempre o aconselhava a tratar a perna e procurar um advogado para a empresa indeniza-lo, mas o engenheiro todo orgulhoso fervoroso, fiel ao seu deus respondia sempre a mesma coisa:
– Meu Deus irá me curar, não preciso de coisas mundanas.
– Meu deus é meu advogado ele, se ele é por mim quem será contra mim? Ele ganhará a causa pra mim e a empreiteira pagará cada centavo que eu mereço.
O tempo passou, passou, o engenheiro nada de tratar sua perna e nem procurar um advogado para o indeniza-lo e sua perna só piorando.  O engenheiro cada vez mais fanático religioso, querendo converter todos a sua volta e cada vez com mais fervor e fé ele orava para que cessassem as dores em sua perna que só piorava. Os conselhos de seu motorista eram sempre os mesmos e as respostas do engenheiro eram sempre as mesmas.
Mas certo dia o engenheiro notou uma melhora em sua perna e a assim foi melhorando com o passar dos meses. O engenheiro mais fervoroso do que nunca sempre agradecendo a seu deus por tal graça.
O tempo se passou, até que a sua perna realmente sarou, o engenheiro todo contente com duas noticias; uma que a sua perna sarou outra que seu filho que acabara de se formar teólogo voltava naquele dia dos Estados Unidos.
Certo dia pouco depois de ter sarado o engenheiro até assume o volante ao ir buscar seu filho no aeroporto deixando o motorista no banco de passageiro. Logo ao ver seu filho engenheiro logo mostra a sua perna para seu filho e glorifica a deus pelo milagre, o filho contente, mas com um ar um tanto estranho em sua face. E de tão contente o engenheiro glorificando o nome de deus percebendo a hora, convida seu filho a ir à igreja. O engenheiro como de costume glorificando a seu deus e também demonstrando seu ódio mortal aos ateus fazendo transparecer que se ele pudesse faria uma inquisição evangélica para matar e torturar todos os ateus, seu filho com olhar cada vez mais de espanto apenas o escuta o motorista também, mas o motorista já estava acostumado com esse ódio todo. Na chegada da igreja o engenheiro convida o motorista a adentrar a igreja, o motorista se declara ateu ao engenheiro dizendo que não acreditara em deus algum, mas se a presença dele fizesse bem ao engenheiro ele adentraria dentro de alguns instantes a igreja para se assentar ao seu lado e de seu filho. Nem deu tempo do motorista se explicar o engenheiro logo começou a agredir o motorista, a humilha-lo proferindo inúmeras palavras de ódio e até o agredindo fisicamente em quanto o motorista de cabeça baixa de sua boca nem uma palavra saía. Com o tempo da discussão se passando eis  que o motorista passa mal, mesmo assim o engenheiro usando deus para justificar suas agressões continua com suas violências sem ao menos deixar o motorista se aproximar do carro para pegar seu remédio. Eis que o motorista cai no meio da rua e o engenheiro cospe em sua cara, o chuta e o filho do motorista se agacha para ajudar, quando do bolso do paletó o motorista tira um envelope e entrega ao filho do engenheiro e diz:
 –Entrega a teu pai esse envelope a hora que sua consciência achar que deve
O filho do engenheiro pega o envelope logo em seguida em seus braços o motorista morre, o engenheiro contente continuando a agredir o motorista ainda com o ar de superioridade diz:
 –Deus jamais falha, a ira de Deus caiu sobre esse infiel, isso é a prova que o Deus que eu sirvo me honra, me defende dessa raça maldita de verme. O meu deus me curou, me deu uma nova vida, a esse ser do diabo o matou graças a minha vontade que estava em meu coração que queria que ele morresse e assim o matou, pois o meu Deus é o Deus que graças aos meus louvores, as minhas orações e minha servidão atende os desejos de meu coração!
Três dias mais tarde depois do ocorrido, a noite na casa do engenheiro sem sono eis que ele recebe uma estranha visita; era uma equipe médica com todo aparato tecnológico e cientifico em mãos, o engenheiro pergunta o que eles fariam lá, com outra pergunta um dos médicos responde:
– O senhor não deveria estar dormindo? Onde está seu motorista?
O engenheiro com um ar risonho, mas com muito ódio responde:
– Há aquele ateu safado, o meu Deus o matou quando ele se revelou ateu, pois desejei que ele morresse naquela hora, o meu Deus o matou, claro que tive a oportunidade de humilhar ele, de amaldiçoar ele e sua família toda, até cuspi na cara dele morto sem contar com os chutes e pontapés que dei nele a hora que ele se revelou. Mas você não respondeu a minha pergunta o que fazem aqui?
O filho do pastor logo chega ao escutar a conversa e já presumindo o que estava por vir tentou mudar de assunto, quis simular um equivoco da equipe, mas o médico relutou e disse:
 – Senhor nos somos a equipe medica que vem cuidando de sua perna durante alguns meses, seu ex-motorista havia nos contratado antes que você perdesse sua perna. Sinto muito pelo seu motorista ele tinha uma grave doença no coração, tomava o remédio no carro em quanto o senhor entrava na sua igreja, mas ele não tinha dinheiro para se tratar, uma vez que gastou tudo que tinha para que o senhor pudesse ter uma perna boa hoje que por sinal hoje seria o ultimo dia de seu tratamento, iriamos lhe dar alta hoje, a doença de seu motorista foi se alastrando muito rapidamente, mas ele sempre preferiu ver o senhor andando do que preservar seu coração, pois o senhor sempre lhe deu uma casa pra morar, um amigo para conversar, um jardim lindo para desfrutar a beleza e por isso ele era sempre grato, como o senhor não acreditava na ciência e preferia esperar de deus a cura de sua perna, todos os dias antes do senhor dormir ele colocava um sedativo e um anestésico no seu chá para que pudéssemos trabalhar e assim o senhor conseguiu recuperar a sua perna que por pouco não precisou amputar.
O filho do engenheiro em lágrimas perguntou sobre os exames que fora feito, o médico prontamente entregou e assim o filho do engenheiro constatou que por pouco seu pai não perdera de fato sua perna e que fora usado todo o recurso cabível a ciência para curar a perna, recursos esses que funcionaram muito bem. O engenheiro friamente pergunta a religião de cada um, todos respondem ser ateus, todos afirmam  não acreditar em deus algum, que tudo o que eles faziam não era algo divino era apenas ciência. O engenheiro um tanto inconformado com a atitude de seu antigo motorista que se fora por conta dele, visualizando os exames apenas pede a equipe medica a concluir seu tratamento.
Na manhã seguinte o filho do engenheiro acorda se lembrando do envelope do motorista e logo o acorda seu pai para entregar. No envelope tinha uma pequena carta que dizia:
“Querido patrão se estiver lendo isso, significa que não estou mais aqui com o senhor, ou porque o senhor me demitiu ou porque morri devido ao meu coração. Venho por meio desta carta confessar que sou ateu, que por gratidão ao senhor que tanto me deu, não tive coragem de vê-lo perder a perna e não fazer nada, sei que o senhor esperava de deus, mas eu minha certeza na ciência era maior, tão grande que ela o curou, nessas alturas o senhor já deve estar sabendo dos detalhes da equipe, pois ainda falta uma sessão de fisioterapia e dentro de alguns meses uma visita médica de rotina para acompanhar sua perna, espero que não fique tão bravo comigo por essa ajuda que prestei . Também tomei a liberdade com os exames médicos e testemunhas de ganhar a vossa indenização de empreiteira, o senhor ganhou uma aposentadoria de 30mil reais, mais uma indenização de 350 mil reais, é seu dinheiro, use da maneira que seu coração mandar.Mil perdões por ocultar meu ateísmo e minhas ajudas, só o ajudei por gratidão e ocultei meu ateísmo por medo do senhor ficar bravo comigo espero que um dia possa me perdoar por esses delitos, a documentação da sua conta está dentro da minha bíblia PS: a equipe médica são ateus, os advogados são ateus e o juiz também é ateu”
Após ler a carta o engenheiro pergunta ao seu filho:
–Que deus que eu sirvo? Para que ele serve? Minha perna devo a ciência, minha indenização devo aos advogados dos homens, tive o melhor amigo que um homem poderia ter e por amor a esse deus fui responsável por sua morte. Esse deus me ensinou a odiar aqueles que me faziam bem. Esse deus me ensinou a odiar as pessoas que me ajudaram, pessoas essas que me ajudaram mesmo sabendo do  ódio que sentia por elas. Agora me pergunto esse deus existe mesmo ou será o fruto do ódio e intolerância que uma pessoa teve aí resolveu criar a religião para espalhar esse ódio pelo mundo?
O filho do engenheiro  apenas respondeu:
–Eu me fiz essa mesma pergunta quando sofri um acidente de carro e precisei do sangue de um ateu, aí olhei ao meu redor tinham muitos ateus trabalhando para minha recuperação. Foi ai que percebi que o que eu até então estava estudando, nada mais era do que basicamente odiar as pessoas e espalhar esse ódio, por isso resolvi seguir a carreira cientifica, mas estava apavorado em contar a você meu pai por conta de seu preconceito.
Então pai e filho se abraçaram, deram o dinheiro da indenização e da aposentadoria para uma instituição cientifica que pesquisava a cura de diversas doenças. E assim nasceu dois grandes ateus que fizeram muito pelo mundo, um apoiando o outro sem ódio, apenas com o desejo de ajudar seu próximo, coisa que aprenderam com apenas um motorista e alguns médicos, mas a gratidão do engenheiro para o motorista rendeu muitos avanços na área da ortopedia e pode fazer muita gente a andar e impedir que muita gente tivesse que perder suas pernas, essa foi a maneira de apenas pedir perdão...

Guilherme Kempoviki Serafim dos Santos 01/10/2011

2 comentários:

  1. nada haver essa historia ...

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  2. Tem gente que acredita nas histórias da bíblia...

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